Esportes

Rodeio: "Proibição, não! Fiscalização, Sim!"

Rodeio: "Proibição, não! Fiscalização, Sim!"

Por: Viola Show | Fonte: Thiago Arantes - Ribeirão Preto - SP

21/05/2014

As pressões e campanhas contra a prática do rodeio pelos ativistas de proteção animal sempre foram uma constante em nosso país, mas nessa semana elas ganharam uma repercussão maior em decorrência de um acidente ocorrido em Hortolândia, interior de São Paulo, e da proibição da realização de rodeio nos municípios de Valinhos/SP e Fortaleza/CE.

O que desperta atenção é que o argumento das organizações de proteção animal são sempre os mesmos: sedém que aperta testículo, esporas pontiagudas, estresses de viagens, etc. E ao serem indagados se já compareceram a um rodeio, eles são enfáticos: "não, jamais! Não tenho esse mau gosto". Ora, como vão julgar algo sem conhecer?

Pautados em quais argumentos, provas e documentos esses vereadores estão justificando tais decisões? Quanto ao acidente na rodovia de Hortolândia, a própria titulação da manchete já define, foi um "acidente", ou seja, ninguém desejou e esperou que fosse acontecer. Quantos acidentes envolvendo animais ocorrem em rodovias por todo país?

Estão proibindo a realização de rodeios com argumentos genéricos, mesmo havendo a Lei Federal n. 10.519/02 que autoriza a sua realização. O que esses ativistas contra o rodeio poderiam fazer é, no máximo, fiscalizar e denunciar o rodeio que não cumpre a lei dos bons tratos aos animais, isto é, desde que se cumpra o que a lei exige não se pode proibir a realização de rodeio por mero deleite pessoal.

Vou traçar um paralelo que vai facilitar minha linha de raciocínio. Os senhores se recordam do acidente da boate Kiss em Santa Maria/RS no ano passado, onde 242 pessoas morreram e apura-se que houve imprudência e más condições de segurança? Pois bem, seria correto depois desse acidente o governo fechar todas as boates do Brasil? Sim ou não? Obviamente que NÃO, pois não se pode generalizar e achar que todos os outros estabelecimentos do país estão em situação semelhantes. O mesmo acontece para o rodeio, não se pode proibir, mas sim, exigir o cumprimento da lei.

Eis um bom título para a campanha em prol ao rodeio: PROIBIÇÃO NÃO, FISCALIZAÇÃO SIM. Queremos a Sociedade Protetora dos Animais ao nosso lado, não para proibir a realização de rodeios, mas para nos ajudar a fiscalizar uma possível transgressão da lei e punir infratores.

Em um evento esse ano uma pessoa me fez a seguinte colocação: "você não tem vergonha de sobreviver à custa da dor de animais, apertando o sedém neles"? Raciocinei por um instante e devolvi a pergunta: "você não tem vergonha de submeter um animal à dor amarrado na coleira só para tê-lo ao seu lado"? Rapidamente ela falou: "ah, mas não machuca". "E o que te faz pensar que o sedém machuca", retruquei. Em seguida expliquei a ela que os dois instrumentos, SEDEM E COLEIRA, são parecidos, causam desconforto no animal, mas jamais dor e tortura. Eu a convenci. O que falta para as pessoas é isso: bom senso.

E para nós do rodeio o que falta é representatividade. Toda categoria de trabalho ou de prática esportiva possui uma representação de classe que coordena e registra seus membros, fixa regras e penalidades e os defendem contra abusos ou ilegalidades de terceiros. Cito como o exemplo a CBH - Confederação Brasileira de Hipismo.

Agora eu vos pergunto: qual entidade, confederação, associação ou conselho defende a classe dos profissionais e organizadores de rodeio? Existe a CNAR - Confederação Nacional de Rodeio sob a presidência de Roberto Vidal, porém não vejo nenhum representante dessa entidade defender os ataques sofridos pelo rodeio contra supostos "defensores" dos animais, da forma com que deveria.

Sinto que estamos órfãos, sem defesa e a mercê de posicionamentos jurídicos equivocados no legislativo de alguns municípios. Cuidado, pois esse é um ano político e muitos deputados vão querem fazer marketing nas costas daqueles que estão indefesos.  

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