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A Consagração da Superação: Assyrio José Dias Conquista o Nacional da CNAR e Projeta o Sonho Americano

A Consagração da Superação: Assyrio José Dias Conquista o Nacional da CNAR e Projeta o Sonho Americano

Por: Eugênio José - Ribeirão Preto - SP

23/09/2026

Campeão de Barretos e, agora, campeão nacional: em menos de um mês, o cowboy de Sertanópolis transformou a temporada em um capítulo histórico — e já mira a montaria nos Estados Unidos.

Assyrio José Dias, campeão da Ekip Rozeta (2023/2024), fechou, no último mês, a conquista mais aguardada de sua carreira. Atual campeão da Festa do Peão de Barretos, o cowboy de Sertanópolis ergueu, praticamente 20 dias depois, a fivela de campeão nacional pela CNAR, em uma final disputada diante dos grandes nomes da modalidade — e entrou, de vez, para o seleto grupo de atletas que venceram as duas competições de maior peso do circuito na mesma temporada.

A consagração na final

Emocionado após o título, Assyrio descreveu o momento como algo que ele mesmo não ousava imaginar:

“Nem imaginava que ia conquistar esses títulos — ainda mais um perto do outro, no mesmo ano. E na final, com grandes competidores na arena, muitos nomes muito importantes. Ter ganhado no meio deles é muito bom demais.”

“Acertei excelentes animais e deu certo eu ganhar”, resumiu.

A trajetória que forjou um campeão

Nada, porém, foi linear. O caminho até os dois títulos passou por lesões severas, pausas forçadas e muita fé. O próprio atleta relembra os capítulos mais duros: a perna quebrada que o afastou do rodeio e o manteve fora de uma edição da FNR — Final Nacional de Rodeio; a distensão na virilha; a pancada na cabeça em Taguaí; e os problemas na mão e no pulso, que exigiram medicação e tratamento intensivo com Pilates na reta final da temporada.

“De pequeno eu já tinha isso na cabeça: machucar, mas depois se levantar. Se está para baixo, subir degrau por degrau de novo. Sempre quis ser constante no rodeio. Saí de baixo, com pouca gente dando força, mas fiquei nas batalhas com a fé em Deus”, contou.

A resposta veio dentro da arena. Ainda na recuperação da perna quebrada, voltou a montar em quatro meses e conquistou títulos em sequência: bicampeão em São José dos Quatro Marcos, vitórias em Bom Jesus, Jacarezinho, Primeiro de Maio e na própria Sertanópolis — a consagração na cidade natal, sonho que ele fez questão de citar. A consistência o levou à Ekip Rozeta e o restante já é história: a vaga garantida, a primeira etapa em Londrina, o nacional da equipe, Barretos e, agora, a CNAR.
O sonho americano e o chamado da PBR
Se dentro da arena Assyrio já não tem mais o que provar no Brasil, fora dela o campeão confessa que ainda alimenta um dos maiores sonhos da carreira: montar nos Estados Unidos. Um sonho adiado inúmeras vezes por motivos que fogem ao seu controle.
“Tenho vontade de pegar nos Estados Unidos. Agora vou ter oportunidade de ir, porque não deu várias vezes por causa dos afastamentos. Teve um acidente de carro em Mato Grosso, depois machuquei a virilha, não deram para ir, mas faz parte da vida do boiadeiro. E eu estava tranquilo de ir para lá, e Deus proporcionou.”

A história se repete na memória do cowboy, que já vivenciou exatamente esse ciclo antes — como no Colorado, onde sonhou em montar e, anos depois, entrou como finalista. Agora, o convite para a PBR voltou à mesa, e Assyrio não esconde a ansiedade e as dúvidas de quem se prepara para o maior salto da carreira:

“Será que vou conseguir montar bem? Como é que vai ficar a cirurgia? A perna vai ficar mais curta. Mas Deus é bom comigo sempre, defendeu minha família, minha mãe sempre reza muito por mim. Graças a Deus recuperei bem, antes do esperado.”

A recuperação, aliás, foi outro capítulo de superação: entre a confiança e o medo de sentir dor ao fazer força, Assyrio treinou, colocou a cabeça no lugar e voltou mais forte — a mesma resiliência que o tirou do fundo depois da perna quebrada.

O nome escrito na arena

Entre os momentos que a conquista de 2026 proporcionou, um tem sabor especial: ver o próprio nome gravado na placa de campeões de Barretos — a maior vitrine do rodeio nacional. Algo que ele descreve com a humildade e a emoção de quem chegou de baixo.

“Quero que meu nome fique escrito naquela placa, como os nomes que estão lá. Um dia eu passava lá e olhava meu nome, queria ver escrito. E graças a Deus conquistei. Põe meu nome lá escrito — nome difícil, mas vai estar escrito lá agora.”

E agora, com a PBR no horizonte, a história ganha ainda mais apelo: a chance de ver um campeão brasileiro cruzando fronteiras.

“Estava escrito: eu ganhar Barretos e ganhar a CNAR. Deu certo todas as coisas”, filosofou. “Já realizei muito do que imaginava realizar. Hoje mesmo meu sonho está realizado. Só tenho a agradecer a Deus, muita fé.”

O campeão de Sertanópolis tem o que poucos no país têm: duas das maiores fivelas do rodeio nacional penduradas na mesma temporada, o nome na placa de Barretos e, agora, o mundo pela frente. Se depender da fé e da constância que sempre o guiaram, o próximo capítulo pode ser escrito em solo americano.

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