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Duas Montarias Perfeitas: João Bezerra Conquista o Título Nacional da CNAR

Duas Montarias Perfeitas: João Bezerra Conquista o Título Nacional da CNAR

Por: Eugênio José - Ribeirão Preto - SP

23/09/2026



Campeão de 47 anos soma 30 anos de estrada, dois números que resumem uma das trajetórias mais consistentes do rodeio brasileiro na atualidade.

O rodeio brasileiro tem um novo campeão nacional. Com duas montarias perfeitas, João da Conceição Bezerra se consagrou campeão da CNAR – Confederação Nacional de Rodeio, coroando uma temporada que já havia começado com o bicampeonato em Cassilândia (MS), o maior rodeio de Mato Grosso do Sul. A decisão, disputada contra os melhores peões do país, foi definida nos detalhes — e João sabia disso antes mesmo de encarar o animal que o levaria ao topo.

A decisão e o sorteio do Ajax

Nas rodadas finais, a confiança veio da lógica. Ao sortear o touro Ajax (cavalo da final), Bezerra teve a certeza de que o título dependia apenas de um fator: dele mesmo.
"Eu tinha comido no meu coração que eu seria campeão pelo sorteio, pela logística da coisa. Só dependia de mim parar no cavalo. Eu já tinha caído dele duas vezes e parado uma. Então dependia só de mim, mas Deus foi grande e eu consegui parar e marcar 89,25 pontos."

João Bezerra garantiu as duas notas máximas da final e levantou a fivela mais importante de uma carreira construída ao longo de três décadas.

Agora, a final tem um sabor especial: esta foi a terceira participação consecutiva de Bezerra na decisão. Na primeira, montou apenas um dia; no ano passado, chegou à semifinal. Este ano, saiu campeão — uma progressão que o próprio peão enxerga como consequência de disciplina.

Uma carreira construída no Pará

A história começou aos 16 anos, no Pará, na companhia de rodeio JM, do Márcio Roberto, onde João aprendeu o ofício nos currais do Norte do país. De lá para cá, os números falam por si: 30 motos e 4 carros conquistados em arenas de todo o Brasil.

"Comecei a montar aos meus 16 anos de idade no Pará, com a companhia de rodeio JM do Márcio Roberto, e graças a Deus ele tem me dado muita glória na minha vida. Eu venho conquistando o meu espaço."

O primeiro grande marco veio em 2004, em Tanabi, no interior de São Paulo, quando ganhou seu primeiro carro — uma conquista que o fez sentir, pela primeira vez, que aquele era o seu lugar. Depois vieram Taguaí, Cassilândia (2019 e 2026), além de títulos em Santa Fé, Fernandópolis, o bicampeonato em Ji-Paraná (RO) e em Chapadão do Sul (MS). Este ano, ainda levou a moto de campeão em Nazaré Paulista.

Na montaria vencedora em Fernandópolis, a parceira foi a égua Lady, que João não hesita em classificar entre as melhores do rodeio nacional. Lady foi o animal que ele montou na sexta, com 90,75 pontos.

"A Lady me deu campeão no Rodeio de Fernandópolis, uma égua excelente. Hoje é um dos melhores animais do rodeio de pulo. Para escolher 10 cavalos, ela está no topo."

Atleta, não aventureiro

Para Bezerra, o segredo não está no talento isolado, mas no tratamento do rodeio como profissão de alta performance — alimentação, preparo e rotina de atleta.

"O rodeio a gente tem que ter como profissão, não podemos levar para o lado errado. Tem que ser um atleta. Você tem que viver a vida do competidor como atleta, sempre bem cuidado, sempre preparando as coisas certinho e ter muita fé em Deus. Nós temos um dos esportes mais perigosos que tem."

A fé, aliás, atravessa toda a fala do novo campeão, que deixou um recado direto para a nova geração que está chegando nos currais:

"Tenha fé, porque a tempestade passa e depois vem abundância. A fé move montanha. Moçada que está começando agora, tenha fé, vá para cima, tenha compromisso com aquilo que você está fazendo. Faça por amor. Dinheiro é importante, com certeza, mas você tem que amar aquilo que você faz."

O campeão agradece

Entre uma conquista e outra, João Bezerra faz questão de dividir o palanque com quem o apoia dentro e fora da arena — a esposa, os filhos, o sogro, a sogra e o amigo Marquinhos, um dos seus grandes fãs.

Aos 47 anos, com 30 de montaria, ele não esconde o orgulho de viver do que ama. E a CNAR, agora, tem um campeão que é a prova viva de que constância, fé e amor pelo esporte ainda constroem os maiores campeões do rodeio brasileiro.

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